BTG vê apenas mais um corte da Selic em 2026 e projeta juros a 14,25% ao ano
- Editor de Investimentos

- 9 de jun.
- 2 min de leitura
O BTG Pactual revisou suas projeções para a economia brasileira e passou a prever apenas mais um corte na taxa Selic em 2026. Segundo o banco, os juros básicos devem encerrar o ano em 14,25% ao ano, em um cenário marcado por inflação ainda resistente, atividade econômica aquecida e maior preocupação com a política fiscal.
Atualmente, a Selic está em 14,50% ao ano. Caso a previsão do BTG se confirme, o Comitê de Política Monetária do Banco Central deverá reduzir os juros em apenas 0,25 ponto percentual antes de encerrar o ciclo de flexibilização monetária.
A nova projeção representa uma mudança de tom por parte da instituição financeira. O banco passou a enxergar menos espaço para cortes adicionais diante da persistência das pressões inflacionárias e da dificuldade de convergência das expectativas para a meta oficial.
Na avaliação do BTG, o quadro econômico exige cautela. A inflação de serviços segue pressionada, o mercado de trabalho permanece resiliente e o consumo das famílias continua sustentado por renda, crédito e estímulos fiscais. Esse conjunto de fatores dificulta uma queda mais acelerada dos juros.
Além disso, o banco também elevou suas estimativas para a inflação, reforçando a leitura de que o Banco Central deverá manter uma postura conservadora nas próximas reuniões. A autoridade monetária tem indicado que qualquer novo corte dependerá da evolução dos dados econômicos, especialmente inflação corrente, expectativas futuras, atividade, câmbio e cenário fiscal.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo perde força e a economia desacelera. Por outro lado, juros altos também aumentam o custo da dívida pública e dificultam investimentos produtivos.
O cenário traçado pelo BTG indica que o Brasil poderá conviver por mais tempo com uma política monetária restritiva. Mesmo com eventual novo corte, a taxa básica de juros continuaria em patamar elevado, mantendo pressão sobre empresas, consumidores e o próprio governo.
Para investidores, a revisão das projeções reforça a atratividade da renda fixa, especialmente em títulos atrelados à Selic ou ao CDI. Já para empresas e famílias, a perspectiva é de manutenção de crédito caro por mais tempo, o que pode afetar financiamentos, empréstimos, consumo e decisões de investimento.
O mercado financeiro também observa com atenção a condução da política fiscal. Gastos públicos elevados, aumento da dívida e incertezas sobre o equilíbrio das contas do governo tendem a pressionar as expectativas de inflação e reduzir o espaço para cortes mais profundos nos juros.
Com isso, a expectativa de uma queda mais intensa da Selic perde força. A projeção do BTG sugere que o Banco Central deverá priorizar a credibilidade no combate à inflação, mesmo que isso signifique manter juros elevados por um período prolongado.
A próxima decisão do Copom será acompanhada de perto pelo mercado. Mais do que o tamanho do corte, os investidores estarão atentos ao comunicado do Banco Central e aos sinais sobre os próximos passos da política monetária brasileira.

Comentários